sexta-feira, 13 de novembro de 2015

GLOSSÁRIO DE IRACEMA. Organização de Adroaldo Fontes.

GLOSSÁRIO DE IRACEMA – JOSÉ DE ALENCAR

I
jandaia: periquito-rei, maritaca, nhandaia – de coloração amarela, dorso verde, asas azuladas, cauda do verde ao azul, com ponta escura.
carnaúba: palmeira solitária de até 15m; produz uma cera; é utilizada na construção; tem polpa comestível usada em farinha e doces; da amêndoa extrai-se óleo; reduzida a cinzas substitui o sal.
perlongar: ir ao longo; costear; ir em sentido paralelo.
terral: vento que sopra da terra para ao mar.
alcíone: ave fabulosa, de canto plangente, considerada pelos gregos como de bom augúrio; designação comum a alguns martins-pescadores.
lenho: fig. embarcação; a cruz de Cristo.
veloce: veloz
corar: disfarçar
rafeiro: cão de raça que serve para guardar o gado; fig.:            que ou aquele que se deleita em divulgar escândalos.
marulho: movimento das águas do mar, de caráter permanente e, algumas vezes, quase imperceptível.
Iracema: lábios de mel, de ira – mel, e tembe – lábios. Tembe na composição altera-se em ceme.
empanado: embaçado, embaciado, baço.
jirau: na jangada é uma espécie de estrado onde acomodam os passageiros; às vezes o cobrem de palha. Em geral é qualquer estiva elevada do solo e suspensa em forquilhas.
agro: acre, azedo; fig. que ou que demonstra pungência (comovente), dor ou mágoa.
argentar: cobrir com prata; pratear.
rugitar: fazer ruído; sussurrar; rugir.
palmares: região botânica  do Brasil setentrional (próprio do Norte) onde a vegetação predominante são palmeiras(babaçu, carnaúba, etc.).
rulo: arrulho(ar): que provoca o adormecimento, acalentando; cantar e embalar para despertar o sono.
borrasca: tempestade no mar; vento forte e súbito acompanhado de chuva.
foscas: escuras, negras.
brioso: valente, corajoso.
altivo: imponente
poje: pojar – saltar em terra, desembarcar.
auras: vento brando, brisa, aragem, sopro.
jaspeie: jaspear – dar a cor, a aparência de jaspe (pedra preciosa semelhante à ágata, tendo a cor vermelha como a mais comum).
mares de leite: mar de rosas(mar sereno, sem ondas).
vogas: vogar(navegar com suavidade).
à discrição: à vontade.
airoso: gracioso de movimentos.
volva: volver(regressar, retornar).

II

graúna: pássaro conhecido de cor negra luzidia. Seu nome vem por corrupção  de guira – pássaro, e una, abreviação de pixuna (espécie de pequeno camundongo selvagem).
talhe: porte ou configuração física.
jati: pequena abelha, também conhecida como abelha-mosquito e jataí,  produz um mel apreciado, porém escasso.
baunilha: planta da família das orquidáceas e de flores verde-amareladas.
recendia: recender -  exalar, trescalar.
Ipu: certa qualidade de terra muito fértil, que forma grandes coroas ou ilhas  no meio dos tabuleiros e sertões, e é de preferência procurada para a cultura. Daí se deriva o nome dessa comarca da província. Segundo Silveira Bueno, Ipu provém do Tupi y-pu, que significa água que surge, que borbulha, ou seja, fonte, bica. Ipu é um município localizado no noroeste cearense, distante 257km de Fortaleza.
tabajara: senhor das aldeias, de taba – aldeia, e jara – senhor. Essa nação dominava o interior da província, especialmente a Serra da Ibiapaba(também conhecida como Serra Grande, Chapada da Ibiapaba e Cuesta da Ibiapaba, é uma região montanhosa que se localiza nas divisas dos estados de Ceará e Piauí).
oiticica: árvore frondosa(de muitos ramos e folhas), apreciada pela deliciosa frescura que derrama sua sombra.
esparziam: esparzir = espargir – espalhar.
ameigavam: ameigar = tornar meigo, terno, afetuoso.
aljôfar: pérola muito miúda; gotas.
roreja: rorejar – molhar com pequenas gotas, à maneira do orvalho.
mangaba: fruto da mangueira, baga do tamanho de um limão, carnuda e doce.
corou: corar – tornar-se rosada.
gará: ave paludial(que vive em palude/pântano) muito conhecida pelo nome de guará e de cor vermelha.
concerta: concertar – harmonizar, ensaiar.
agreste: selvagem, silvestre(das selvas).
ará: periquito. Arára é a espécie maior do gênero, porque os indígenas repetem a última sílaba da palavra.
uru: cesto com  alça, feito da palha da carnaúba, para serem guardados objetos de maior apreço e estimação.
matizada: de cores diversas.
crautá: bromélia vulgar, de que se tiram fibras tão ou mais finas que as do linho.
juçara: palmeira de grandes espinhos, dos quais se servem ainda hoje para dividir os fios da renda.
ignotas: desconhecidas, ignoradas.
lesta: ágil, ligeira.
uiraçaba: flecha.
compassiva: que revela compaixão.
quebrar a flecha: maneira simbólica de se estabelecer a paz.

III

juazeiro: árvore alta e copada(bojuda).
carmeava: carmear – desfazer os nós.
frocos: felpas de lã ou de seda.
cavos: com cavidade; fundos; côncavo.
lobrigou: lobrigar – ver a custo; ver ao longe.
cuidou: cuidar – imaginar, pensar; cogitar.
plaga: região, país.
Mearim: rio que banha o estado do Maranhão.
mancebo: rapaz.
igaçaba: pote de barro, ger. de boca larga, para água e outros líquidos, ou para guardar farinha e outros gêneros; quiçaba.
vieste: saudação usual  da hospitalidade.
Jaguaribe: maior rio da província. Significa grande quantidade de onças(jaguar-onça + iba-abundância).
pitiguaras: índios que habitavam desde o rio Parnaíba até o Rio Grande do Norte. O nome significa senhores dos vales.
Apodi:  rio do  Rio Grande do Norte.
Acaracu: acará= garça + co= toca, ninho + y=água. Rio do ninho das garças.
mau espírito da floresta: caa-pora = caipora.
cauã: acauã – ave falconiforme, de coloração pardacenta.

IV

maracá: chocalho.
jurema: árvore de tamanho médio, dando um fruto amargo do qual juntamente com as folhas e outros ingredientes resultava em uma bebida que tinha o efeito do haxixe.
quebro: inflexão de voz; modulação.
tripúdio: dança religiosa.
Irapuã: nome também dado a uma abelha violenta e brava. Ira – mel e apuã –redondo. Por corrupção reduziu-se o nome para arapuã. Irapuã foi encarniçado(feroz, sanguinário) inimigo dos portugueses e amigo dos franceses.
estrela morta: estrela polar, por causa da sua imobilidade; orientavam-se por ela os selvagens durante a noite.
transmontou: transmontar – transpor; passar além.
boicininga: cobra cascavel – bóia(cobra) + cininga(chocalho).
oitibó: noitibó/bacurau – ave noturna, espécie de coruja.
beijoim: benjoim – bálsamo aromático, amarelo, extraído do estoraque(arbusto ornamental, de origem asiática).
mavioso: harmonioso, suave.

V

escarlate: da cor vermelha muito viva e rutilante.
conjurando: conjurar – afastar; exorcisar.
espíritos das trevas: chamados de curupiras – meninos maus.
furtivamente: disfarçadamente, dissimuladamente.
boré: buré – flauta de bambu.
ocara: praça circular que fica no centro da taba. Oca – casa + ara – que tem.
manam: manar – dar origem; verter.
maniva: mandioca.
potiguara: comedor de camarão – poti e uara. Nome dado pelos tabajaras davam aos pitiguaras, que habitavam as praias e viviam da pesca.
emboabas: apelido dado pelos bandeirantes aos forasteiros portugueses e brasileiros de outras origens que entravam no sertão à  busca de ouro e pedras preciosas.
brande: brandir – erguer; agitar.
rúbico: rúbido – vermelho, afogueado.
nambu: inhambu – da família dos macucos, codornas e perdizes.
troa: estrondear, retumbar.
retroar: troar muito e demoradamente.
pocema: grande alarido; clamor das mãos, porque os selvagens acompanham o vozear com o bater das palmas e das armas.
Andira: morcego; é em alusão a seu nome que Irapuã dirige logo palavras de desprezo ao velho guerreiro.
sanha: ira, fúria, rancor.
núncio: anunciador, mensageiro; precursor.
cauim: bebida preparada com a mandioca cozida e fermentada.
decrépito: muito idoso, enfraquecido e desgastado fisicamente.
ranger: produzir ruído.
membi: flauta indígena, feita da tíbia dos animais ou dos inimigos.
ribombo: estrondo.

VI

aracati: brisa do mar que sopra ao cair da tarde.
erriça: erriçar; eriçar – fazer erguer, arrepiar.
coma: copa de árvore; franças.
carpe: carpir – sussurar, murmurar.
trépida: assustada, trêmula de susto.
anela: anelar – ansiar, almejar.
opresso: oprimido.
brando: meigo, manso.
presságio: indício de uma acontecimento futuro.
falda: sopé; abas da montanha.
basto: denso, cerrado; numeroso, copioso.
ádito: recanto secreto.
lastravam: lastrar – espalhar-se.
recôndito: oculto, escondido.
viso: cume do monte.
perpassar: passar ao longo.
crebro:  repetido, frequente.
arrufa: arrufar – arrepiar.
ósculo: beijo.
nenúfar: vitória-régia. 
travou do arco: pegar.



GLOSSÁRIO DE IRACEMA -  PARTE II

VII

coava: coar – penetrar pouco a pouco; insinuar-se; passar através.
auras:  brisa, aragem, sopro;  vento brando.
aflavam: aflar – soprar, bafejar; soprar.
crepitava: crepitar – estalar ao modo da madeira arder, ou o sal que se deita ao fogo.
Anhanga: nome dado pelos indígenas ao espírito do mal. Anho – só, e anga – alma. Espírito só,  privado do corpo, fantasma.
turbou: turbar – inquietar, desassossegar.
cáustico: que queima, cauteriza ou carboniza os tecidos orgânicos.
eufórbia: planta da família das euforbiáceas, como o bico-de-papagaio e a coroa-de- cristo, sendo usada para usos medicinais(asma, angina e outras doenças respiratórias) ou ornamentais.
torpe: infame, vil, abjeto; asqueroso, ascoso.
goaná: guananá( guá + anã = dedos ligados), uananá, goaná, goanhá ou guanhá – pato domesticável.
sanha: ira, ódio, rancor, fúria.
inúbia: tipo de trombeta de guerra dos índios, feita de dois pedaços ocos de maçaranduba, unidos entre si com cipó. Membitarará. Travando da inúbia: empunhando, lançando mão.

VIII

crestou: crestar – queimar de leve, à superfície; tostar.
rorejam: deitar gota a gota, destilar.
espato: mineral carbonático(carbono) de clivagem(fragmentação) muito fácil.
ciciam: ciciar – rumorejar em cicio(rumor brando , como o da viração nos ramos das árvores).
lânguida: sem forças; ser energia, frouxa, fraca, abatida.
pâmpano: ramo tenro, sarmento(flexível).
camucim: grande talha de barro em que os indígenas inumavam(sepultavam,; enterravam) os cadáveres.
andiroba: árvore cuja semente dá se extrai um azeite amargo(purgativo).
cabelos do sol: cabelos louros.
açucena: lírio, lírio-branco, copo-de-leite.
reboa: reboar – fazer eco, retumbar, repercutir.
aprisco: covil, toca; redil(curral de ovelhas).

IX

bonança: bom tempo no mar, tempo favorável à navegação; fig. sossego, tranquilidade, serenidade.
decrépito: muito idoso, ou muito enfraquecido e desgastado fisicamente.
fumo: produto gasoso que se desprende dos corpos em combustão; fumaça.
sapé: planta da família das gramíneas, de que se usam caules secos  para cobrir casas.
cocoruto: o ponto mais elevado de uma coisa; crista, grimpa.
moquém: grelha de varas para assar ou secar a carne ou peixe. Os índios conservavam a caça assada para não apodrecer.
senhor do caminho: py - caminho e guara –senhor : guia.
transmontando: transmontar – passar por cima, transpor; desaparecer.
odia vai ficar triste: sombra da tarde, crepúsculo.
Jurupari: juru – boca, e apara – torto, alijado : o boca torta = demônio.
ubaia: pitangueira.
endecha: canção melancólica; poesia fúnebre, muito triste.
ardores: ardor - calor intenso; ardentia.
estio: o verão.
transudam: transudar -  verter; transpirar.
escarpa: ladeira íngreme.
esto: ondulação ruidosa, agitação, ruído.
franja: franjar – guarnecer, enfeitar.
tristura: tristeza.
fogo-fátuo: luz que aparece à noite, geralmente emanada de terrenos pantanosos ou de sepulturas, e que é atribuída à combustão de gases provenientes da decomposição de matérias orgânicas.
tabuleiro: planalto pouco elevado, em geral arenoso e de vegetação rasteira.

X

rudo: rude – áspero, escabroso.
alfajôres (das lágrimas) a palavra correta: aljôfares – pequenas pérolas. No sentido figurado: lágrimas de mulher bela.
estrugia: estrugir – vibrar fortemente, estrondear.
fremente: vibrante; agitado; violento.
urutau: ave noturna.
remontou: remontar – subir muito alto.
umbria: lugar sombrio.
viso: cume do monte ou outeiro.
eminências: elevações, relevos, alturas.
surdina: surdinar – abrandar, atenuar.
merencória: melancólica.
crebos: frequentes, amiudados, repetido.
estrídulo:  que se caracteriza pelo som agudo, ruidoso, penetrante.
inhuma: ave noturna, que canta regularmente à meia-noite.
sapopema: grande raiz tubular que cerca a base do tronco de muitas árvores da floresta pluvial.
fendiam: fender – fazer estremecer.
debalde: inutilmente, em vão; embalde.
inúbia: trombeta de guerra.
búzio: concha utilizada como instrumento de sopro.

XI

caiçara: estacada de proteção, à volta das tabas ou aldeias indígenas.
frêmito: rumor surdo e áspero; vibração.
guará: cão selvagem, lobo brasileiro.
escápula: escape – saída, fuga, escapulida.
estugava: estugar – apressar, aligeirar(o passo).
sanhudo: sanhoso – que causa medo; temível.
jibóia: cobra de arremesso, por sua maneira de lançar o bote.
sucuri: animal roncador, por ter um ronco assustador.
sanha: ira, fúria.
caninana: cobra que pode subir nas árvores; fig. pessoa de mau gênio, víbora.
enrista: enristar – pôr em riste; erguer-se.
engelhadas: enrugadas, murchas.
esbugalharam: esbugalhar – abrir muito.
afilados: delgados, finos.
mirrada: seca, ressequida, murcha.
reboou: reboar – fazer eco, repercutir.
regougo: ronco, roncadura.
ariranha: onça-d’água; alimenta-se de peixes, que geralmente vai devorar em terra.
ouve seu trovão: rugido da terra; uma astúcia(manha) utilizada pelos pajés e o sacerdotes de toda a nação selvagem para fascinar a imaginação do povo.
antro: cova profunda e escura; caverna, furna, gruta.
enfiou: enfiar – demonstrar susto, medo.
torvo: que causa terror; carrancudo, iracundo, irascível.
com pouco: demorou pouco.
cava: escavação.
ruidava: ruidar – produzir ruído, ; sussurrar, rugir.
cismava: pensar com insistência.
travou do maracá: pegou do pendão de guerra – estandarte.
abati d’água: nome tupi do arroz. Iracema serve-se da imagem do arroz que só se desenvolve no alagado para exprimir sua alegria.
furtou: desviou.
frondes: copas das árvores.


XII

sopesando: sopesar – levantando com a mão.
bateram: percorreram.
ressono: sossego profundo; quietação absoluta.
atiati: gaivota.
Ibiapaba: terra fendida.
cuidou: imaginou.
replicou: replicar – contestar.
anajê: gavião-carijó; pega-pinto.
destra: mão direita.
hirto: teso, retesado, inteiriçado.
inhuma: ave anseriforme, de pés palmados, como os patos, marrecos, cisnes e gansos.


XIII

fragueira: ardente, fogosa, impetuosa.
viveza: vivacidade.
rojavam: rojar – arrastar.
intanha: sapo-boi.
oitibó: noitibó, bacurau – ave noturna.
quedo: que não se move.
vetusta: muito velha, antiquíssima.
borralho: lugar aquecido e confortável.
entretecida: entretecer – tecer, entremeando; entrelaçar.
cauim: bebida fermentada.
trato: intervalo.
estrupido: grande estrondo; tropel(ruído produzido por multidão a andar ou a se agitar).


XIV

copiosas: abundantes.
libações: copos de bebida tomados por prazer; libar – beber, sorver.
aplaca: aplacar – moderar; serenar.
tripudiam: tripudiar – saltar ou dançar batendo com os pés.
ubiratã: árvore pau-ferro.
maracajá: gato selvagem.
caititus: porco-do-mato.
jaguar: felídeo – onça.
anajê: gavião.
medonho: que causa medo, assustador.
alarido: clamor de vozes; gritaria, algazarra.
arrebatam: arrebatar – tirar com violência ou força.
 concitado: concitar – incitar à desordem, ao tumulto; instigar.
 vela: velar – estar de vigia, de guarda, de sentinela.
reboando: reboar – fazer eco; repercutir, retumbar.
crasta: galeria.
acauã: ave falconiforme, inimiga das cobras.

XV

expirou: expirar – respirar.
castos: inocentes, puros.
langue: lânguida – sem energia, sem forças; debilitada.
punho: corda tecida em forma de elo(argola), a qual segura a rede  nos ganchos ou armadores.
fúlgidos: fulgentes – brilhante, cintilante.
saí:  saíra – pássaro.
lascivo: sensual, libidinoso.
talhe: feitio ou feição do corpo.
ádito: acesso, aproximação.
himeneu: casamento, matrimônio.
presságio: indício de um acontecimento futuro.
brasido: braseiro.
faúlhas: fagulhas(chispa, centelha).
embalde: debalde – em vão, inutilmente.
malgrado: desprazer.
atribulado: aflito, angustiado.
submisso: dócil.
pungiu: pungir – afligir, torturar, atormentar.
à cintura da virgem: atrelado, preso.
torna: tornar – retornar.
carioba: camisa.
libou: libar – beber, sorver, tragar, delibar.
viçava: viçar – desenvolver-se, alastrar-se; brotar.
opressa: oprimida.
suspirosa: lamentosa.
tépido: morno; que tem pouco calor.
pejo: pudor; acanhamento, timidez.
arrebóis: arrebol – vermelhidão do nascer ou do pôr-do-sol.
rutilava: rutilar – fazer brilhar muito; fazer resplandecer.
fruído: desfrutado, gozado.
alva: o primeiro alvor da manhã; anteaurora.
pocema: grito de guerra.
espanejava: espanejar – desenvolver-se, desabrochar.


XVI

alvo: branco, claro.
Jaci: a lua.
folgam: folgar – alegrar-se.
discorrem: discorrer – correr para diversos lados ou diferentes partes.
fogos da alegria: grande cópia(abundância) de fachos(archotes, candeios).
extático: posto em êxtase, absorto, enlevado.
piracém: iguaria feita de peixe seco em pó.
desdém: desprezo com orgulho; com altivez.
de encontro: contra.
traspassar: atravessar, penetrar.
bucã: espécie de grelha para assar a caça.
sebe: cerca de arbustos, ramos, estacas ou ripas entrelaçadas, para vedar terrenos.
falda: sopé; abas da montanha.
flanco: cada uma das duas regiões abdominais laterais, direita e esquerda, que se situam, em altura, sob cada hipocôndrio(cada uma de duas regiões abdominais superiores e laterais, direita e esquerda).


XVII

velando-se: velar: cobrir-se
grêmio: seio, regaço(zona interna e côncava  que vai das pernas ao peito de uma pessoa sentada); colo.
cerra: cerrar – fechar, juntar, unir.
turbaram: turbar – transtornar, perturbar.
confrangia: confranger – oprimir, afligir, angustiar.
açulava: açular – incitar, instigar, estimular.
tardo: preguiçoso, vagaroso, lento.
cismava: cismar: andar preocupado; ficar absorto em pensamento.
abaeté: varão forte.
arrufando-se: arrufar – tornar irritado, agastado; irritar.
arpejo: execução rápida  e sucessiva de notas de um acorde, geralmente em instrumento de cordas.
múrmuros: murmúrios – som plangente; lamento, queixa.
coou: coar – introduzir-se.
zabelê: jaó – ave
lufos: sopros.
tapir: anta.
arrepiou: arrepiar – desviar do caminho normal.

XVIII

cavernoso: fundo, cavado.
encapelada: agitada, encrespada.
estruge: estrugir – fazer estremecer com estrondo, atroar.
cuandu: porco-espinho.
assanha: assanhar – provocar a sanha, raiva ou fúria de.
colar de guerra: colar que os selvagens faziam dos dentes dos inimigos vencidos; era um  brasão e troféu de valentia.
renhiu-se: renhir – travar contenda ou luta.
clava: pau pesado, mais grosso em uma das extremidades, que se usava como arma; maça.
boicininga: cascavel.
prócero: alto e elevado.
juncados: cobertos.

XIX

marugem: empapado.
Japi: significa nosso pé.
píncaro: cume.
serrania: cordilheira; aglomeração de serras ou montanhas.
adeja: adejar – mover as asas para manter-se em equilíbrio no ar; bater as asas; voar; dar voos curtos e repetidos sem direção certa.
errara: errar – percorrer; caminhar em várias direções.

XX

sóis:  dias, ou dias de existência.
sobejavam: sobejar – sobrar; ser por demais.
tintas:  com vestígios.
ata: fruta do conde(nona).
Meruoca: de meru – mosca, e oca - casa. Serra junto de Sobral, fértil em mantimentos.
Uruburetama: pátria ou ninho de urubus; serra bastante alta.
Mundaú: mundé – cilada, e hu – rio. Rio muito tortuoso que nasce na serra de Uruburetama.
perlongando: perlongar – ir ao longo, costear.
Potengi: rio que rega a cidade de Natal.
camoropim: peixe robalo.
moquém: grelha.

XXI 

uraçá: uracaçu -  ave passeriforme  - gralhão.
Piroquara: pira – peixe, e coara – toca.
Soipé: País da caça. De sôo – caça, e ipé – lugar onde. Rio Siupê em São Gonçalo do Amarante-CE.
Rio Taíba: São Gonçalo do Amarante-CE
Cauípe: de cauim – vinho de caju, e ipe – lugar onde.
Rio,  que forma um braço do mar:  Rio Parnaíba – pará – mar, nhanbe – correr, e hyba – braço.
Mocoripe: morro de areia – Mucuripe.
igaras: espécie de canoa leve e rasa, escavada em um único tronco de árvore; p. ext. qualquer embarcação.
Mearim: rio localizado em Bacabal, estado do Maranhão.
jaçanã: ave caradriiforme – narcejas, gaivotas, trinta-réis, batuíras.
mimosas: delicadas.
tapuias: nome dado aos franceses pelos pitiguaras para diferenciá-los dos tupinambás. Tapuia  significa barbado, inimigo.
mairi: mair – estrangeiro – nome dado aos povoados dos brancos em oposição às tabas dos índios.
esteios: partes acessórias das plantas.
fasquias: ripas.
copiar: varanda contígua à casa; alpendre.

XXII

Batuireté: narceja ilustre. Apelido que tomara o chefe pitiguara, que na linguagem figurada valia tanto com valente nadador. Avô de Poti e Jatobá.
lagar: ?
suas estrela eram muitas: contavam os indígenas os anos pelo nascimento das Plêiades(grupo de sete estrelas visíveis a olho desarmado, que fazem parte do aglomerado galáctico na constelação do Touro)  o Oriente; e também guardar uma castanha de cada estação de caju, para marcar a idade.
Jatobá: árvore frondosa – abundante em ramos.
bordão: pau grosso de arrimo; cajado, báculo, bastão.
Quixeramubim: exclamação de saudade. Compõe-se  de Qui – ah!, xere – meus, e amôbihê – outros tempos.
caminho das garças: em tupi – Acarape.
Maranguab: marã  - guerrear, e coaub sabedor. Serra de Maranguape, distante 5km de Fortaleza.
Ribeiro de Pirapora: pira – peixe, e pore – salto.
soabriu: soabrir – abrir(se) um pouco, de manso; entreabrir(se).
baço: sem brilho.
gavião branco: Batuireté chama assim o guerreiro branco, ao passo que trata o neto por narceja; ele profetiza nesse paralelo a destruição de sua raça pela raça branca.
abaetê:  homem honrado, de palavra.
taioba: erva de folhas longas.
tuins: ave – periquitinho.
andiroba: árvore de cujas sementes se extrai azeite.


XXIII

discorria: discorrer – vaguear, vagar; correr para diversos lados.
amena: aprazível, agradável.
enrediça: planta cujos ramos são muito emaranhados(misturados).
Jereraú:  rio das marrecas – jererê ou irerê marreca, e hu – água.
Sapiranga: lagoa - Ceça – olhos e piranga – vermelhos.
muritis: buriti – palmeira.
Muritiapuá: muriti e apuá – ilha.
espolpava: espolpar – tirar a polpa.
Aratanha: arara – ave, e tanha – dente.
Guaiúba: goaia – vale, y – água, jur – vir, e be – por onde; por onde vêm as águas do vale.
Pacatuba: de paca e tuba, leito ou couto(refúgio) de pacas.
carioba: pano branco.
maniva: manaíba – aipim ou mandioca.
grimpa: cocuruto, crista; o ponto mais alto.
crajuru: crajiru – planta medicinal arbustiva cujo caule é ramificado desde a base.
refega: refrega – vento tempestuoso e rápido, ou que sopra às lufadas.
A
âmbar: esterco de peixe.

XXIV

anajê: gavião.
majoí: andorinha.
coatiabo: pintado. Coatiá  significa pintar.
araçóia: saiote de penas.
jenipapo: baga fortemente aromática e muito apreciada para licores.

XXV

cotão: lanugem de alguns vegetais.
carbeto: espécie de serão que faziam os índios à noite em uma cabana maior, onde todos se reuniam para conversar.
tapuitinga: nome dado ao branco pelos indígenas.
pérfido: desleal, infiel.
Aquiraz: água logo adiante.

XXVI

aljava: coldre ou estojo.
goiamum: guaiamu – crustáceo decápode que vive em lugares lamaçcentos.
doce:  branda.
alvorou: alvorar – alvorecer.
gazeou: gazear – soltar a voz.
fagueira: satisfeita, contente.
monguba: árvore que dá um fruto cheio de cotão(felpazinha).


XXVII

renhida: sangrenta, cruenta.
pugna: peleja, briga, combate.
pelejou: pelejar – batalhar;  combater, lutar; pugnar.
torvo: que causa terror.
esmaltou-se: esmaltar-se – enfeitar-se, adornar-se.
imbu: fruta semelhante ao cajá(própria para refrescos e sorvetes).
cope: copar – formar copa(ramagem superior) a árvore.
lastram: lastrar – espalhar-se.
ermo: deserto; lugar sem habitantes.
diáfano: transparente.
manava: manar – verter abundantemente.
remordeu: remorder – torturar, afligir; atormentar.

XXVIII

ubaia: uvaia – pequena árvore cujos frutos são bagas piriformes(pera) amarelas de sabor aceitável, conquanto muito ácido.
desfiava:  desfiar - espalhar.
tupinambás: ramo primitivo da raça tupi. Aliaram-se aos franceses após saírem da Bahia e emigrar para o Maranhão.
japim: pássaro de cor de ouro conhecido como sofrê(corrupião).
folha escura: a murta, que os indígenas chamavam capixuna, de caa – rama, folhagem, e pixuna – escuro. Daí vem a figura de que usa Iracema para exprimir a tristeza que ela produz no esposo.

XXIX

enseada dos papagaios:  de jeru – papagaio, cua – várzea, coara – buraco ou seio. Baía de Jericoacoara.
maracatim: grande barco que levava na proa – tim – um maracá(chocalho). Os barcos menores ou canoas chamavam de igara, de ig – água, e jara – senhor; senhora das águas.
pojam: pojar – saltar em terra; desembarcar.
caiçara: forte estaca. De cai – queimado, e desinência çara – coisa que tem ou se faz.
camoropim: peixe da família do robalo.

XXX

Moacir: filho do sofrimento, de moacy – dor, e ira, desinência que significa saído de.
sassafrás: canela-sassafrás.
chupou tua alma: as crianças absorvem uma porção d’alma dos pais.
bagas: gotas.
anuviou-se: anuviar – entristecer-se.
a esmo: se rumo.

XXXI

embebera: embeber – encharcar-se, ensopar-se.
apojava: apojar – encher-se.
carimã: mandioca escorrida.
crestado: crestar – enfraquecer; fazer vacilar.

XXXII

Tauape: lugar de barro amarelo, de tauá e ipé. Fica no caminho de Maranguape.
piau: peixe que deu o nome ao Rio Piauí.
itaoca: casa de pedra, fortaleza.
soabriu: soabrir – entreabrir.
jetica: batata-doce.
manacá: linda flor.
estame: órgão masculino da flor, formado pelo filete que sustenta a antera, na qual, por sua vez, se formam os grãos do pólen.


XXXIII

transudou: transudar – verter,; transvasar.
sagrado lenho: a cruz de Cristo.
medrou: medrar – crescer; desenvolver-se; prosperar.

    
 GLOSSÁRIO DAS CARTAS DE JOSÉ DE ALENCAR EM IRACEMA

I – maio de 1865. Meu amigo.

pitoresco – recreativo, divertido.
dardeja: dardejar – projetar, arremessar.
languem: languir, languescer – debilitar-se, enfraquecer(se).
outão: oitão – espaço lateral da casa.
desenfastiar:  suavizar, amenizar.
desvaneça: desvanecer – fazer passar ou desaparecer; dissipar.
perpassou: perpassar – roçar
espatos:  cinzas.
vivace: vivaz.
múrmuros:  que produz murmúrio, ruído.
crepita:  crepitar – estalar ao modo da madeira a arder.
farfalha: farfalhar – produzir a folhagem ruído sob a ação do vento.
auras: vento brando; brisa, aragem.
conchego: conforto, comodidade.
messe: aquisição, conquista.
metro: medida reguladora da quantidade de pés ou sílabas de um verso.
primícias: primeiros frutos;  primeiros efeitos.

II  -  Agosto,  1865. Dr. Jaguaribe.
lânguido: frouxo, fraco.
garrida: alegre, brilhante, viva.
a esta parte: a este assunto, ponto.
quadra: período, época, tempo; fase.
descrido:  descrente.
cuidava: cuidar – imaginar, pensar.
fugace: fugaz – efêmero.
triaga: teriaga – remédio caseiro; coisa de sabor amargo.
pio: caridoso.
vigílias:  insônia, falta de sono.
canto: grande divisão de longos poemas
susteve-se: suster – conservar, manter; resistir.
autóctones: que é oriundo da terra onde se encontra, sem resultar de imigração ou importação.
lavor: trabalho de caráter artístico, executado com habilidade.
estro: imaginação criadora, inspiração; talento.
espúrios: que não é genuíno; adulterado.
deleitava: deleitar – causar prazer; deliciar.
improbo: improbar – desaprovar,  censurar, reprovar.
escrópulo: unidade  de medida de peso para pedras preciosas.
contuso:  secionado; dividido em seções.
somenos: inferiores.
charra: grosseira.
desfloradas: tirar a pureza; tirar o brilho.
acoimado: censurado; acusado.
cediço: muito velho; sabido de todos.
escoimado: livrado de falhas.


REFERÊNCIAS

ALENCAR, José de. Iracema. Coleção Nossa Literatura Clássica, Editora Komedi, 2008. Campinas- SP.
HOLANDA, Aurélio Buarque de. Dicionário Aurélio. O Dicionário Completo da Língua Portuguesa. 
HOUAISS. Grande Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. 
SCHWAB, Artur. Dicionário de Sinônimos e antônimos da Língua Portuguesa. MEC, 1974.
JUCÁ, Cândido. Dicionário Escolar das Dificuldades da Língua Portuguesa. MEC, 1985, 5a. edição.


sábado, 24 de outubro de 2015

Visita à Casa Divina Providência.

Hoje, um ensolarado sábado de primavera, Mariza Meksenas e eu (Edna Domenica Merola), pedagogas paulistas aposentadas, fomos visitar as irmãs da Casa Divina Providência. Casa essa  onde moram as irmãs não só em Congregação, mas também em maioridade. Refiro-me à maioridade preconizada pela Estatuto do Idoso. 
Poderia dizer uma residência de longa permanência (I.L.P.I.), mas para quem conhece a Casa e fez amizades por lá  não percebe o local como mera instituição. Os laços fraternos religiosos unem as residentes. 
Mas o que explicaria o fato de tantos funcionários simpáticos e eficazes? Irmã Marly responde isso de forma academicamente competente, já que em sua Especialização em Atenção à Saúde da Pessoa Idosa (UFSC. 2015.) pesquisou a interação de membros de equipes multidisciplinares em ILPIs, identificando que a qualidade dessa interação tem impacto na qualidade do atendimento à pessoa idosa. 
Tive o privilégio de ser sua colega de curso e de ser convidada a conhecer a Casa. Aprendi muito sobre solidariedade indo lá. Aprendi que ajuda é via de mão dupla: uma especialíssima maneira de interação.
Mariza e eu levamos haicais para ler nessa visita matinal que começou às 9 e terminou às 10 horas. Lemos haicais, cantamos, fizemos expressão gestual, desenhamos. 
Por sugestão criada por Mariza durante a atividade, usamos um haicai para 'apresentação' das irmãs. Perguntávamos : Que flor é esta, que perfuma assim toda a floresta? E todas diziam o nome da pessoa que apontávamos. 
Vi lindos sorrisos... Rostos presentes de quem saiu do 'claustro' e confraterniza... Vi-me em seus semblantes, mesmo esquecida de mim para focar atenção nelas e perceber algum recurso útil para nossa 'aula' de leitura de haicais. 
Quem está lendo essa postagem quererá saber pormenores tais como: participaram três cadeirantes, duas com andadores, duas com bengala. Faixa etárea: 90% acima dos 80 anos. Todos esses informes são aproximados... 
Só informo com certeza que saí de lá alegre.
Só informo com presteza que as irmãs gostaram desses haicais que transcrevo a seguir. 

(Autor Carlos Seabra)

que flor é esta,
que perfuma assim
toda a floresta?

flor amarela,
no vaso, vê o mundo
pela janela.


sol na varanda –
sombras ao entardecer
brincam de ciranda.
  

(Autor A. A. de Assis)

Vós que, sobrevivos,
a mais que os demais amais,
uni-vos, uni-vos.

Leio no jardim.
Ideias há e azaleias
em redor de mim.


Passa a teoria
por debaixo do arco-íris.
Vira poesia.

De braços abertos,
sobe o pinheiro. Subindo,
deixa o céu
m
a
i
s

l
i
n
d
o





quinta-feira, 18 de junho de 2015

Carta de uma professora, numa manhã chuvosa. Edna Domenica Merola.

Olá, alunas,

Semana passada fez sol em pleno inverno... Mas, "quando a esmola é muita o santo desconfia...". 
Espero que esteja tudo bem com vocês que faltaram na aula de hoje, devido às fortes chuvas... Pois, "mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto.
Espero que tenham aproveitado a manhã chuvosa para um bom e merecido descanso. Afinal, "Deus dá o frio conforme o cobertor!"
Se à tarde quiserem trabalhar um pouquinho, envio, nesta cartinha, parte do que fizemos pela manhã. Afinal, ainda é dia e " A esperança é a última que morre!"

ASSUNTO: O coro falado (usado na escrita de textos para Teatro)

O coro grego funciona como um personagem coletivo, na peça. Faz indagações para provocar reflexão. Expressa a opinião pública, critica valores, reage às atitudes dos personagens como o escritor julga que a audiência iria reagir; impulsiona a emoção, confere movimento, promove quebras que podem marcar uma mudança de rumo na ação. 
O coro é o elo com os rituais religiosos que originaram o Teatro e, portanto, mantém a sua alma coletiva. O que é uma atitude muito sábia, já que, "Cautela e caldo de galinha nunca fez mal a ninguém. "


O QUE ACONTECEU NA AULA:
Ensinei a usar o coro (recurso da Tragédia Grega) na produção de texto para teatro. Obviamente, isso implica em criar pelo menos 2 personagens.
Para eliciar a criação de personagens, usei as minhas já famosas cartas de tarô, à moda do RPG. Se ainda não era aluna do curso, no semestre em que trabalhamos com as cartas, leia, por favor, o contido na postagem "Criação de Personagens", no blog Aquecendo a Escrita, no link: 
http://aquecendoaescrita.blogspot.com/2014/06/criacao-de-personagens-e-rpg-edna.html 

Ainda no aquecimento para a construção de personagens, usei a estratégia do 'ditado popular'. Entenda que o coro é um personagem (coletivo, plural).
Após o sorteio de duas cartas do tarô para cada aluno, expus 56 ditados populares que compilei. Associando as cartas sorteadas aos ditados, seus colegas escolheram os que seguem:


O que os olhos não veem o coração não sente.


A esperança é a última que morre.


Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.


Quando a esmola é muita o santo desconfia.

Mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto.


Cautela e caldo de galinha nunca fez mal a ninguém.


Deus dá o frio conforme o cobertor.



As produções foram muito boas... 
Seus colegas mandam lembranças.


Isto posto, a professora lhes envia esta singela tarefa (Afinal, 
" Mais vale um pássaro na mão do que dois voando"):

Construa um texto para teatro, usando 3 personagens. Dois personagens serão inspirados em cartas do tarô. O terceiro personagem (para ser dito por um grupo de pessoas ou pelo coro) é o que irá interferir, dizendo um ditado popular, quantas vezes a autora  (ou a aluna) achar oportuno. Poderá, também, usar vários ditados, conforme o efeito estético que desejar causar. 

Ah! Já ia me esquecendo... Retiramos as cartas de que não gostamos, antes de iniciar o sorteio... Afinal : "O que os olhos não veem o coração não sente"...

Afinal (e desta vez é para finalizar) ... De chato já tínhamos a chuva e a ausência de vocês!

Com carinho,
a Professora.


ANEXO 1: DITADOS POPULARES
1- Cão que ladra não morde.
2-  A justiça tarda, mas não falha.
3-  Dois bicudos não se beijam.
4- A pressa é inimiga da perfeição.
5-Quem tem boca vai à Roma.
6- Em terra de cego quem tem olho é rei.
7- Quando a esmola é muita o santo desconfia.
8- É de menino que se torce o pepino.
9- Há males que vêm para o bem.
10- O que os olhos não veem o coração não sente.
11- Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento.
12- Cada macaco no seu galho.
13-  A esperança é a última que morre.
14- Quem não tem cão caça com gato.
15-O apressado como cru.
16- Quem casa quer casa.
17- Devagar se vai longe.
18- Nem tudo que reluz é ouro.
19- Quem sai na chuva é pra se molhar.
20-Mais vale um pássaro na mão do que dois voando.
21- A união faz a força.
22-  Quem conta um conto aumenta um ponto.
23- Nem tudo que balança cai.
24-Quem procura acha.
25- Em casa de ferreiro o espeto é de pau.
26-Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura.
27- É errando que se aprende.
28- Quem ri por último, ri melhor.
29-Para bom entendedor meia palavra basta.
30-Um dia da caça, o outro do caçador. 
31-Quem sabe faz, quem não sabe manda.  
32-Manda quem pode, obedece quem deve.  
33-Não há regra sem exceção. 
34-As aparências enganam. 
35- Para o bom entendedor meia palavra basta 
36-Quando um não quer, dois não brigam. 
37- Com tempo tudo se cura 
38- O homem prevenido vale por dois. 
39- Quem primeiro se queixa foi quem atirou a ameixa 
40- Águas passadas não movem moinho. 
41- Mais vale perder um minuto na vida do que a vida num minuto. 
42- Uma andorinha só não faz, verão. 
43- Quem ama o feio, bonito lhe parece.  
44- Quem procura sempre acha, se não um prego, uma tacha. 
45- A ociosidade é mãe de todos os vícios 
46- Deus dá o frio conforme o cobertor 
47- O saber não ocupa lugar 
48- Tudo que não mata engorda 
49- Cautela e caldo de galinha nunca fez mal a ninguém 
50- Camarão que dorme a onda leva. 
51- Tal pai, tal filho. 
52- Quem dorme com criança acorda molhado 
53- Quem não chora não mama 
54- Laranja na beira de estrada ou é azeda ou tem marimbondo no pé. 
55- Falar é prata, calar é ouro. 
56- As más notícias chegam depressa 

ANEXO 2: CARTAS DO TARÔ (Fonte: Wikipedia)











sexta-feira, 5 de junho de 2015

Ouvir músicas com letras 'intimistas' é indicado para idosos? Edna Domenica Merola

Se você é idoso, pode continuar lendo. Se é fã de Elis Regina também. Se você quer realizar oficinas com músicas para qualquer idade, continue a leitura, sem grandes expectativas (pois desta vez não vou descrever técnicas! Pasme!). Pretendo que essa leitura desperte sua percepção sobre a escolha de letras intimistas, a exemplo das escolhas que Elis Regina fez em momentos diferentes de sua vida. Ao final da leitura, você poderá achar sua resposta sobre as escolhas de músicas com letras que faz no seu cotidiano (Bom trabalho!).

Intimismo ‘zen’ X Intimismo Romântico: 2 escolhas do repertório de Elis Regina

O que chamo de intimismo ‘zen’ exemplifico por uma música de autoria de Gilberto Gil, cantada por Elis. É um verdadeiro exercício de relaxamento.

Gilberto Passos Gil Moreira, mundialmente conhecido como Gilberto Gil, (Salvador, 26 de junho de 1942) é um político, cantor, compositor, multi-instrumentista, escritor, ambientalista, empresário e intelectual brasileiro, também conhecido por sua inovação musical e por ser ganhador de prêmios Grammys, Grammy Latino, galardeado pelo governo francês, com a Ordem Nacional do Mérito (1997), e pela UNESCO como "artista pela paz", em 1999.

O Compositor Me Disse


O compositor me disse que eu cantasse distraidamente
Essa canção
Que eu cantasse como se o vento soprasse pela boca
Vindo do pulmão
E que eu ficasse ao lado pra escutar o vento jogando as palavras
Pelo ar
O compositor me disse que eu cantasse ligada no vento
Sem ligar
Pras coisas que ele quis dizer
Que eu não pensasse em mim nem em você
Que eu cantasse distraidamente como bate o coração
E que eu parasse aqui
Assim

O que chamo de intimismo romântico está em Carta ao Mar de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli.  A letra faz referência direta ao amor confirmado apesar de “um azul, outra vez, de tarde, morrer” e a aceitação de que a vida seguirá, apesar do desencontro romântico: “segue o mundo [...] sem amar”. 
Elis Regina e Ronaldo Bôscoli foram casados. Antes disso, já tinham tido um relacionamento tumultuado que fora 'aparentemente' interrompido. 

Carta ao Mar




Me multiplicando em sol
Tento uma canção pra você
Trago flores, girassóis
Não me importa mal me querer

O que vai em mim,vem
de um desejo imenso de ser outra vez
Um barco, um azul
Outra vez, de tarde, morrer

Céu sem naves espaciais
Flores, só naturais
Só nós dois e as coisas banais
Mais não, pra quê

Pra que o mundo
Segue o mundo
Sem o mar
Sem amar

De que vale o som sideral
Ou uma rima mais genial
Se o amor está aqui, neste sal
Nesse encontro franco e frontal.