quinta-feira, 5 de março de 2015

Lições sobre Cuidar/Ser Cuidado. Edna Domenica Merola.

Numa interessante oficina para educadores, uma das estratégias utilizadas apresentava um texto e uma imagem diferentes para cada um dos grupos. A tarefa era tecer as possíveis associações entre o texto verbal e o 'imagético'. E, em seguida, cada grupo deveria formular uma questão.
Um dos grupos recebeu uma imagem que alguns de seus membros identificaram como rosas e os demais como tulipas. E um poema de autor desconhecido.
Questionaram o que as flores teriam em comum com a amizade (tema do texto).
Em casa, consultei imagens de tulipas que poderiam ser consideradas semelhantes a rosas. As tulipas em botão, de fato se assemelham àquelas. Vide  http://www.mundodeflores.com/rosas-fotos-tulipas.html


http://www.mundodeflores.com/images/fotos-flores-tulipas.jpg?phpMyAdmin=9ea091c51a5aa3cf876fb3cf0a5f7f3d
No entanto, o cultivo de ambas no hemisfério sul é bem diverso. Rosas se adaptam mais ao nosso clima e seu cultivo acaba sendo considerado algo simples. No nosso território a tulipa é exótica e rara (valores positivos), mas mal adaptada (valor negativo).
Ao pensar na construção de metáforas comparando flores e a amizade, nos deparamos com a questão tanto de seu cultivo como do prazer que nos proporcionam.
Flores raras ou corriqueiras enfeitam, embelezam, perfumam... São bem-vindas, assim como a amizade.
Mas cada laço afetivo que une duas partes demanda algo que vai além da intenção, da afinidade 'gratuita' e da aparência (que se nos apresenta como familiar, honesta, bondosa, agradável, acolhedora, aconchegante...). 
Cada vínculo entre duas pessoas demanda a utilização de energia na construção e na manutenção desse 'estar' que chamamos de amizade... E que nos leva a reconhecer o outro como amigo. 
A princípio é possível ser uma pessoa 'amistosa', ainda que sem amigos. 
Assim como pessoas não 'amistosas' podem ter contatos com várias pessoas que as chamam de amigas. 
Há sempre algum contato que  demanda da outra parte o cuidado intenso como o que pede uma tulipa, e, no entanto, só retribui propocionando uma única florada. Ser professora às vezes pede esse grau de percepção do processo de desabrochar delicado que precisa de temperatura diversa daquela que o grupo é capaz de oferecer em dado momento.
O processo de aprendizagem não implica em cuidados voltados para alterar a natureza dos seres. Implica antes em explicitar o potencial existente nessa natureza de maneira que caminhos de adaptações sejam buscados pelo aprendiz.
A aprendizagem altera antigas percepções sobre o mundo e sobre si mesmo... 

Eis porque como aluna ou como professora, sempre estou envolvida com novas aprendizagens.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Atividade Física e o Idoso: um exercício proposto pela Professora Tânia Bertoldo Benedetti. Edna Domenica Merola

O exercício proposto pela Professora Tânia Benedetti para alunos do Curso de Especialização em Atenção à Pessoa Idosa indicou por fonte a obra Atividade Física e o Idoso: concepção gerontológica. MAZO, LOPES E BENEDETTI (2009). Antes de introduzir a tarefa propriamente dita, apontam-se os itens temáticos abordados no livro referido:
1- "considerações demográficas e epidemiológicas sobre o envelhecimento populacional no Brasil; história dos idosos em diferentes épocas e na sociedade brasileira;
2- história dos idosos em diferentes épocas e na sociedade;
3- mitos, fatos e teorias do envelhecimento;
4- envelhecimento humano: definições e terminologias;
5- aspectos biopsicossociais do envelhecimento humano;
6- doenças mais comuns no envelhecimento;
7- capacidade funcional;
8- Programas de atividades físicas e aptidão física;
9- testes;
10- tipos de atividades físicas (caminhada, natação, hidroginástica, treinamento de força, ginástica, lazer e recreação, jogos e esportes;
11- turismo;
12- nutrição e atividade física.
Na obra Atividade Física e o Idoso,  MAZO; LOPES E BENEDETTI (2009) fundamentam a análise de instrumentos de diagnóstico da capacidade funcional do idoso. A partir da classificação em cinco níveis das atividades da vida diária (AVDs) consideram escolhas de instrumentos de avaliação de habilidades físicas úteis ao diagnóstico da qualidade de vida da pessoa idosa.
O presente exercício apontará o que considera eficaz numa avaliação específica instrumentalizada por escalas, quando se pretende trabalhar as capacidades físicas básicas e necessárias para cada nível.
Considerando que dentro de cada nível de dependência apresentado por idosos o nível de capacidades físicas será diferente, pergunta-se: quais as habilidades físicas que deveriam ser trabalhadas em cada nível a partir da avaliação com os idosos?
A obra Atividade Física e o Idoso, MAZO; LOPES E BENEDETTI (2009) apresenta conceitos para explicar porque a capacidade funcional é um aspecto primordial para a manutenção da autonomia e independência do idoso.
O processo de envelhecimento pode levar a um comprometimento da capacidade funcional (CF). A CF inclui habilidades para executar tarefas diárias de forma independente: deslocamento, autocuidado, preservar as habilidades cognitivas e adequação e integração social por meio de atividades ocupacionais e recreativas, incluindo um sono adequado.
A capacidade funcional existe quando estão ausentes as dificuldades no desempenho de certos gestos e de certas atividades da vida cotidiana.
Atividades básicas instrumentais são: tomar banho, vestir-se, realizar higiene pessoal, mover-se, alimentar-se, controlar esfíncteres, controlar finanças, preparar refeições, tomar remédios, arrumar a casa, fazer compras, usar transporte coletivo, usar telefone e caminhar ‘certa distância’.
A capacidade funcional do idoso depende de certo grau de independência (ou de usar seus próprios meios para realizar algo) e de autonomia (tomar decisões). A independência e a autonomia são fundamentais para manter a qualidade de vida.
A capacidade funcional do idoso poderá ser melhorada mediante trabalho físico orientado por especialista competente. Esse trabalho será equacionado conforme o nível da capacidade do idoso.
É necessário identificar e excluir os indivíduos com contraindicações clínicas para os exercícios. A emissão do atestado médico para consentir que o idoso pratique exercícios físicos deve ser mediante atos como a anamnese e os exames: verificação da pressão arterial, análise do perfil sanguíneo e da função pulmonar. Esses atos deverão redundar na estratificação do risco, ou seja, constituem o pré-teste.
Outro profissional a recorrer é o nutricionista, pois o impacto das atividades e/ou exercícios físicos na saúde depende também dos hábitos alimentares de seus praticantes.
Para selecionar os testes de aptidão física próprios para cada idoso deve-se levar em consideração o nível de AVDs; aplicar os testes para grandes grupos de idosos; utilizar os testes que têm boa reprodutibilidade e validade, além de serem seguros.
Os testes devem ainda representar os principais componentes da aptidão física e da capacidade funcional, conforme os objetivos a que a avaliação se propõe e que serão atendidos pelos componentes que o instrumento abrange.
A seguir, quadro referente aos testes físicos com os critérios supramencionados.

Baterias de Testes Físicos de Idosos no Brasil
Objetivo
Testes
Componentes
Avaliar os elementos da aptidão física e da composição corporal
Fullerton Fitness Test (Rikli & Jones, 1999).
Força e resistência de membros Inferiores. Força e resistência de membros superiores. Flexibilidade membros superiores. Flexibilidade membros inferiores. Resistência aeróbia. Agilidade e equilíbrio dinâmico. Composição corporal.
Verificar a aptidão funcional dos idosos
American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance – AAHPERD (Osness et al.,1990).
Composição corporal. Flexibilidade, Coordenação.  Agilidade e equilíbrio dinâmico. Força e resistência de membros Superiores. Resistência aeróbia geral e habilidade de andar ‘RAG'.

Consideradas as peculiaridades das avaliações e mensurações das capacidades físicas e funcionais dos idosos, conforme quadro anterior, passa-se para o exercício de demonstração da pertinência de alguns testes para cada um dos níveis de Atividades da Vida Diária alcançados pelos idosos.

Níveis de Atividades da Vida Diária e Testes sugeridos para Avaliação Multidimensional do Idoso
Níveis
Testes Sugeridos
I- 1. Fisicamente incapazes.
2. Fisicamente dependentes.
Escala de Avaliação Clínica da demência CDR (entrevista com o cuidador). Escala de Depressão Geriátrica – GDS 15.  Escala de Avaliação Clínica da demência‒ CDR. Mini Mental.  MOCA.
II- Fisicamente frágeis
Rikli & Jones.
III- Fisicamente independentes
Versão brasileira do American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance – AAHPERD:  Zago (2002), Zago e Gobbi (2003), Benedetti et al. (2007), Benedetti et al. (2008) e Mazo et al. (2008). IPAQ ‒ Questionário Internacional de Atividade Física.
IV-Fisicamente condicionados ou ativos
Teste de Uma Milha.
V- Elite física ou Atletas
Testes específicos para atletas.

A diminuição da força leva à limitação funcional, causando a incapacidade e a dependência. Os fisicamente incapazes são aqueles que não realizam nenhuma Atividade da Vida Diária e têm dependência total de terceiros. Não são realizados testes físicos para os acamados.
Entrevistas com o cuidador são importantes para embasar a intervenção do fisioterapeuta e do educador físico. Essa intervenção irá tentar melhorar a qualidade dos movimentos disponíveis no repertório do idoso e que podem ajudar na colaboração do paciente com o cuidador nas tarefas de higienização, de alimentação e no contato afetivo.
Na sondagem das possibilidades de reabilitação, a parceria com o médico é interessante para investigar se há quadro de depressão que causa a situação, assim como ‘reações’ medicamentosas. Esgotadas as estratégias de reabilitação, o fisioterapeuta exerce, ainda, importante papel na assistência ao paciente terminal, em especial quanto às garantias do direito à morte digna.
Os fisicamente dependentes são aqueles que apresentam dificuldade em realizar algumas atividades básicas da vida diária como: caminhar, tomar banho, alimentar-se e transferir-se de um lugar para outro. Eles necessitam de cuidados de terceiros.
É necessário que o médico e o psicólogo investiguem depressão e demências nesse nível de idosos. A avaliação dos fisicamente dependentes a ser feita pelo psicólogo clínico ou o médico psiquiatra incluirá entrevistas com o cuidador. A Escala de Avaliação Clínica da demência CDR (na qual as questões são feitas para o cuidador) poderá ser aplicada.
Aos fisicamente dependentes aplica-se a Escala de Depressão Geriátrica – GDS 15 e o Mini Mental. O Montreal Cognitive Assessment (MOCA) em sua versão experimental brasileira pode ser útil à medida que avalia a capacidade visuoespacial e executiva, a nomeação, a memória, a atenção, a linguagem, a abstração, a evocação tardia e a orientação.  
Descartadas as hipóteses de depressão ou de estágios iniciais de demências, e descartada também a hipótese de efeitos medicamentosos indesejados que algumas vezes são causados pela prescrição em cascata de remédios, o trabalho do profissional de educação física terá bons resultados nos programadas de reabilitação que tenham por objetivo melhorar as atividades básicas da vida diária.
As atividades de autocuidados demandam desenvolver a força muscular (pernas, braços, mãos, dedos, quadril e tronco), flexibilidade (ombros, quadril, joelho, punhos, tornozelos e pés) e agilidade/mobilidade (mãos). Para essas atividades torna-se importante aplicar questionários que mensuram as AVDs e aplicar testes que avaliam as capacidades físicas da força (braço, perna, mão), função manual, flexibilidade (amplitude articular) e agilidade/ mobilidade (pequenos deslocamentos).
Os fisicamente frágeis normalmente estão debilitados. Conseguem realizar as tarefas domésticas leves, como preparar os alimentos, fazer compras, realizar todas as atividades básicas da vida diária e algumas intermediárias.
O trabalho do profissional de educação física terá bons resultados nos programas para idosos fisicamente frágeis que tenham por objetivo melhorar as funções das atividades básicas e intermediárias da vida diária: limpar a casa, cozinhar, fazer compras, sair de casa. Manter boa postura para ter marcha adequada, desenvolver a força muscular, flexibilidade, agilidade (mãos) e o equilíbrio. Os testes a serem utilizados são os que avaliam as atividades básicas e intermediárias da vida diária, e que contemplam as capacidades físicas de força (grandes agrupamentos musculares), flexibilidade, equilíbrio e agilidade/mobilidade.
Sugere-se a escala Rikli & Jones para avaliar idosos fisicamente frágeis. Tendo por objetivo avaliar os elementos da aptidão física e composição corporal, o Fullerton Fitness Test (Rikli & Jones, 1999) tem por componentes: força e resistência de membros inferiores, força e resistência de membros superiores, flexibilidade dos membros superiores, flexibilidade dos membros inferiores, resistência aeróbia, agilidade e equilíbrio dinâmico, composição corporal. A aplicação segue a sequência: 1- levantar e sentar na cadeira. Mede a força dos membros inferiores. 2- flexão do antebraço, usando halteres de mão (2,3 kg para mulheres e 3,6 para homens). Mede a força dos membros superiores. 3- sentado e um perna estendida com o calcanhar no chão, a cabeça alinhada com a coluna, tentar tocar o pé com a ponta dos dedos médios. Mede a capacidade da articulação coxo femural e flexibilidade dos membros. 4-  Sentado, caminhar 2,44 m e voltar a sentar. 5- Alcançar atrás das costas. Mede a flexibilidade dos membros superiores.
Dentre os idosos não dependentes estão incluídos os que mantêm um estilo de vida aparentemente ativo, mas que não realizam exercícios físicos regulares. Para esses idosos pode-se aplicar o IPAQ ‒ Questionário Internacional de Atividade Física ‒ cujas perguntas estão relacionadas ao tempo que o entrevistado gasta fazendo atividade física em uma semana normal /habitual. As respostas são dadas levando-se em conta que as atividades físicas vigorosas são aquelas que precisam de um grande esforço físico e que fazem respirar muito mais forte que o normal. E que as atividades físicas moderadas são aquelas que precisam de algum esforço físico e que fazem respirar um pouco mais forte que o normal.
A Seção 1 ‒ Atividade Física no Trabalho ‒ inclui as atividades que o entrevistado faz no trabalho remunerado ou voluntário, e as atividades na universidade, faculdade ou escola (trabalho intelectual).  Não inclui tarefas domésticas, pois serão incluídas na seção 3.
As questões da Seção 2 ‒ Atividade Física como Meio de Transporte ‒ se referem à forma normal como o entrevistado  se desloca de um lugar para outro, incluindo grupo de convivência/ idosos, igreja, supermercado trabalho, escola, cinema, lojas e outros.
A Seção 3 – Atividade Física em Casa ou Apartamento: Trabalho, Tarefas Domésticas e Cuidar da Família ‒ inclui as atividades físicas que o entrevistado faz em uma semana normal/habitual  dentro e ao redor da sua casa ou apartamento. Por exemplo: trabalho doméstico, cuidar do jardim, cuidar do quintal, trabalho de manutenção da casa, e para cuidar da sua família. Inclui somente atividades físicas com duração de pelo menos 10 minutos contínuos.
A Seção 4 ‒ Atividades Físicas de Recreação, Esporte, Exercício e de Lazer ‒ se refere às atividades físicas que o entrevistado faz em uma semana normal/habitual unicamente por recreação, esporte, exercício ou lazer que o entrevistado faz por pelo menos 10 minutos contínuos. Não inclui atividades citadas anteriormente.
A Seção 5 ‒ Tempo Gasto Sentado ‒ inclui questões sobre o tempo que o entrevistado permanece sentado em casa, no grupo de convivência/idoso, na visita a amigos e parentes, na igreja, em consultório médico, fazendo trabalhos manuais (crochê, pintura, tricô, bordado, costura) e no trabalho, durante o tempo livre. Isto inclui o tempo sentado, enquanto descansa, visita a amigos e parentes, faz leituras, telefonemas, assiste TV, realiza as refeições. Não inclui o tempo gasto sentando durante o transporte em ônibus, carro, trem e metrô.
O entrevistado será classificado em “ativo” se na análise do questionário IPAQ a soma do tempo de atividades vigorosa e moderada for igual ou superior a 150 minutos semanais.
Será considerado inativo se as atividades vigorosas totalizarem menos de 10 minutos por semana.
O entrevistado será classificado em “pouco ativo”, se a soma do tempo de atividades vigorosas e moderadas for inferior a 150 minutos semanais.
Os idosos fisicamente independentes realizam todas as atividades básicas e intermediárias da vida diária. Executam trabalhos físicos leves, cuidam da casa, realizam as atividades de que mais gostam e que exigem pouco gasto energético (trabalhos manuais, grupos de convivência, caminhadas, jardinagem, danças, viagens, dirigir automóveis).
É necessário investigar dentre os fisicamente independentes se as atividades da pessoa idosa são suficientes para manter a saúde física e mental. Para que isso ocorra é necessário manter e melhorar as funções físicas que lhes dão independência e previnem as incapacidades ou lesões que podem levar à fragilidade.  Precisam desenvolver a força, resistência muscular e cardiovascular, flexibilidade, equilíbrio, agilidade, coordenação e velocidade de reação. Os testes a serem utilizados são os que avaliam as atividades avançadas da vida diária e as capacidades físicas. Pode-se aplicar o AAHPERD.
Tendo por objetivo verificar a aptidão funcional, o American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance – AAHPERD (Osness et al. 1990) é útil para avaliar: composição corporal, flexibilidade, coordenação,  agilidade e equilíbrio dinâmico, força e resistência de membros superiores e resistência aeróbia.
A versão brasileira do AAHPERD aplica-se para mulheres idosas e para homens apenas entre 60 e 69 anos, pois para as faixas masculinas mais longevas ainda não há estudos brasileiros que contemplem os valores normativos necessários.  Os estudos de  Zago (2002), Zago e Gobbi (2003), Benedetti et al. (2007), Benedetti et al. (2008) e Mazo et al. (2008) desenvolveram  o RAG, no Brasil, que mensura Resistência aeróbia geral e habilidade de andar.
Os idosos fisicamente condicionados ou ativos realizam trabalho físico moderado, esportes de resistência e jogos. São capazes de fazer todas as atividades avançadas da vida diária e a maioria das atividades de que mais gostam. Têm aparência física mais jovem em relação às demais pessoas de sua idade. Os testes a serem utilizados são os que avaliam as diferentes capacidades físicas.
O teste de 800 metros proposto por Osness, et al. (1990) é com frequência, utilizado para idosos ativos. O objetivo é medir o tempo que o indivíduo leva para percorrer a distância pré-determinada de 800 metros. A média do tempo de execução pelos idosos é de 5 a 14 minutos e 30 segundos.
Para idosos ativos aplica-se ainda o teste de 1 milha que consiste em caminhar 1.609 metros, no menor tempo possível.
O idoso atleta será avaliado por meio de testes específicos para as diferentes modalidades de atletismo, seu avaliador deverá pedir atestado médico emitido recentemente.
Os esforços dos profissionais que trabalham com idosos deverão reverter em tomada de decisões de forma a atendê-los de forma adequada. Assim, idosos fisicamente incapazes – serão preferencialmente atendidos por fisioterapeuta que terá como objetivo principal manter a massa muscular do paciente. Para idosos fisicamente dependentes aquele profissional terá por objetivo desenvolver força muscular, flexibilidade e agilidade.
Caberá aos profissionais de educação física planejar e avaliar programas de intervenção para idosos: atividades físicas, exercício ou treinamento ‒ devendo dominar o manejo de testes classificatórios que determinem a indicação do idoso para um desses três tipos de intervenção.
Os idosos fisicamente independentes serão assistidos pelo profissional de educação física que trabalhará no sentido de manter e melhorar as funções físicas: força, resistência muscular e resistência aeróbica de seu aluno.
Idosos fisicamente ativos ou aptos serão orientados por profissional de educação física para manter em bom nível a aptidão física e funcional.
Os idosos atletas deverão ser acompanhados por profissional de educação física que dirigirá seu treino.      Pelo exposto no presente texto pode-se concluir que algumas baterias são consideradas adequadas para a mensuração da aptidão funcional de idosos, no Brasil, a saber: Versão brasileira do American Alliance for Health, Physical Education, Recreation and Dance – AAHPERD:  Zago (2002), Zago e Gobbi (2003), Benedetti et al. (2007), Benedetti et al. (2008) e Mazo et al. (2008); bateria de testes de aptidão funcional de idosos Senior fitness Test (SFT) – (RIKLI e JONES, 2001) e o questionário de Atividade Física adaptado para idosos (IPAQ).
Conclui-se ainda que seja importante analisar os objetivos e os componentes dos instrumentos disponíveis para mensurar a capacidade física de idosos. Essas informações levam a refletir sobre a delimitação dos papeis dos diferentes profissionais (psicólogo, médico, fisioterapeuta e o profissional de educação física) e sobre as implicações éticas decorrentes do exercício desses papeis que envolvem a atenção e o cuidado da pessoa idosa.
A realização do presente exercício propiciou a elaboração de algumas sínteses necessárias em relação às várias disciplinas do Curso de Especialização em Atenção à Saúde da Pessoa Idosa, em especial à compreensão de que os referidos estudos são interdisciplinares. Só tal aprofundamento téorico é que poderá alavancar a construção de uma prática de equipe que se pretenda multidisciplinar.


REFERÊNCIAS

MAZO, Giovana Zarpellon; LOPES, Marize Amorim; BENEDETTI, Tânia Bertoldo. Atividade física e o idoso: Concepção Gerontológica. Porto Alegre: Sulina. 2009. 3ª edição. Cap. 8 e 9.

MORAES. Edgar Nunes de. Processo de Envelhecimento e bases da avaliação multidimensional do idoso. In: Envelhecimento e saúde da pessoa Idosa. Fiocruz. 2008. http://www5.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_215591311.pdf.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Programas de Convivência de Idosos e Funcionalidade. Edna Domenica Merola.

Atividade Social e Bem-estar da Pessoa Idosa 
A Organização Mundial de Saúde assim define: "a saúde é o bem-estar físico, psíquico e social". 
Você acredita que grupos de convivência são importantes para o bem-estar da pessoa idosa? Considera que o estudo desse tema é importante para a Gerontologia? 
As definições de grupo e de convivência dadas pelo dicionário por si já servem para problematizar o tema. São elas: "Grupo (Sociologia) — sistema de relações sociais.  Grupo de pressão — o mesmo que lóbi. Grupo étnico — pessoas que se identificam. Convivência é: o ato ou  efeito  de  conviver. É a frequência de trato íntimo e mútuo. (in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013,  http://www.priberam. pt/ dlpo/conviv%C3%AAncia.
Num grupo de convivência importam as forças de pressão que as relações interpessoais exercem sobre o indivíduo?  Importam mais as configurações das relações sociais: suas propriedades e suas qualidades? Importam as identificações que as pessoas trazem de outros agrupamentos mais do que aquelas que serão estruturadas a partir do novo agrupamento? Além de grupo etário o que caracteriza um grupo de idosos cuja tarefa é conviver, ou seja, cuja tarefa é o próprio agrupar-se?
‒ Por que e para quê repensar os grupos de convivência? Como elaborar atividades que se coadunem com os referenciais teóricos cientificamente reconhecidos no campo da saúde? Qual o número ideal de participantes desse tipo de grupo?
Bem-estar e funcionalidade são equivalentes, implicando em: autonomia e independência. Autonomia significa capacidade de decisão e comando sobre as ações individuais, estabelecendo e seguindo as próprias regras. Independência é a capacidade de realizar algo com os próprios meios. Funcionalidade é o produto da preservação da cognição, do humor, da mobilidade e da comunicação. 
Preservar a cognição implica em estimular as inteligências múltiplas: raciocínio lógico, espacial, numérico, verbal, artístico, etc. 
A preservação do humor tem a ver com autoestima e o cuidado. Rir é bom desde que não seja da desgraça do outro ou de si próprio. Nesses casos, o correto é manter-se sério. Aproximar-se de idosos não implica em questioná-los sobre suas doenças. Ajudá-los em seu equilíbrio emocional não quer dizer fazê-los erguer a mão para dizer sim à pergunta: "quem sofre de depressão?" 
A preservação do humor tem a ver com manter o instinto de Eros. É preciso manter a chama acesa. Isso significa ter projetos, lutar por suas opiniões e pela inserção nos espaços sociais. Significa manter a curiosidade, exercer a cidadania plena para valer seus direitos e os dos demais. Significa expressar-se livre e criativamente. Ou seja, cabem projetos de ensino de artes plásticas e cênicas, de literatura, de História e de música. Lembro ao leitor que a sétima arte (Cinema) é derivada das Artes Cênicas, das Artes Plásticas (fotografia), sem falar da literatura e da música que já percorreram séculos de mãos dadas com o teatro. 
Preservar a mobilidade implica na realização de atividades físicas pelo menos três vezes por semana. Jogos (cartas, dados, etc) e artesanato (bordado, crochê,...) e palavras cruzadas não são opções para substituir as atividades físicas para os idosos.
Num grupo grande é necessário organizar subgrupos para fortalecer os laços necessários para o convívio. Pois cada pessoa idosa tem sua personalidade, sua história de vida diferente das demais, desta forma, precisa ser acolhida de forma a se sentir confirmada como pessoa. O ideal é que os grupos de convivência incluam conversas em grupos de 5 a 10 pessoas. Conversa em grupo não tem 'chefe' e sim facilitador da interação espontânea e empática. 
Os palestrantes, professores ou oficineiros que atuem nesses grupos devem voltar suas falas PARA A SAÚDE, já que aprendemos nos cursos de graduação de ciências da saúde que indagar sobre moléstias que atingem uma pessoa específica é reservado para o momento de entrevista individual onde o sigilo é devidamente mantido. 
Todos os que se interessarem pelo tema deverão visitar vários grupos de convivência. É necessário fazer anotações e desenvolver estratégias de escrita e outros tipos de registro como forma de se 'lembrar' dos lugares visitados, dos perfis das instituições e dos projetos que oferecem para o público. 

Ler é imprescindível para quem quer se dedicar a grupos de idosos. Cito alguns estudos diretamente ligados ao tema da convivência grupal e do idoso:
BENETTI, Tânia R. B.; MAZO, Giovana Z.; BORGES, Lucélia J.; Condições de saúde e nível de atividade física em idosos participantes e não participantes de grupos de convivência de Florianópolis. Revista Ciência e & Saúde Coletiva (2012).
DIAS, Aline O.;  SOUZA, Luciana K. - Motivações de Idosos para Participar em Grupos de Convivência: uma revisão de literatura.
SILVA, Maria Izabel. KINOSHITA, Fernando.  A Participação dos Idosos nos Grupos de Convivência Como uma Possibilidade de um Envelhecimento Saudável. EXTENSIO: Revista Eletrônica de Extensão Ano 6 • n. 7 • Julho de 2009 • ISSN 1807-0221 145.

Cito ainda outros estudos ligados à saúde do idoso e que acrescentam também ao tema supra:
MAZO, Giovana Z.; LOPES, Marize A.; BENETTI, Tânia R. B.; Atividade Física e o Idoso: concepção gerontológica. Porto Alegre: Sulina, 2009.
MORAES. Edgar Nunes de. Processo de Envelhecimento e bases da avaliação multidimensional do idoso. In: Envelhecimento e saúde da pessoa Idosa. Fiocruz. 2008.
http://www5.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_215591311.pdf. 

Tanto as visitas a grupos como as leituras servem para que estudantes façam suas próprias anotações e registrem suas reflexões. 
O estilo de tecer anotações é peculiar a cada pessoa. Professores costumam indicar roteiros para que visitas sejam anotadas. Um texto de registro comum é o feito em forma de 'reportagem' ou 'diário de bordo'. Nele constarão os fatos observados como foram 'sentidos' e percebidos sob o viés dos filtros dos conhecimentos teóricos e profissionais de quem descreve.
O treino de observação  só vem com muita prática de trabalho com redes sociais. Os paradigmas que regem um projeto só serão identificados por profissionais treinados para tal. 
A escritora desse texto considera-se uma visitante experiente de projetos, pois exerceu durante sete anos o cargo de supervisora de ensino em São Paulo (capital). No exercício do cargo referido internalizou a cultura do 'registro' como aprimoramento dos trabalhos em projetos coletivos em redes educativas/educadoras.
Devido à formação em Psicodrama, a escritora desse texto utiliza a palavra 'jogo' (em seus textos autorais) para referir a técnicas úteis para grupos de convivência e similares. 
A escritora desse texto descreveu vários jogos nos blogs NETIATIVO e Aquecendo a Escrita nas postagens que são fruto de experiências didáticas nos anos 2012, 2013 e 2014. Para ler, procure os textos naqueles blogs cujo título inclua a palavra 'diário' (de classe), 'relato', 'diálogo', 'jogo'. A exemplo do que consta no link:





quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Reflexão crítica sobre a aplicabilidade da avaliação multidimensional da saúde do idoso. Edna Domenica Merola

A presente reflexão trata de uma tarefa acadêmica individual proposta no Curso de Especialização em Atenção à Saúde da Pessoa Idosa feita pela Prof Karina  S. A. Hammerschmidt. Em acato ao solicitado e para abordar o tema enunciado delineou-se um caminho que percorre as vertentes: ética, política e técnica. Para a última foram tomados itens do texto de Moraes (2008) tais como: conceito e tipos de envelhecimento, diferença entre senescência e senilidade; síndrome da fragilidade, doenças crônico-degenerativas; constatação da necessidade de mecanismos eficazes de avaliação e de descrição das condições de saúde da pessoa idosa para cuidá-la adequadamente. O protocolo de Moraes comparece de forma esquemática para elucidar seu grau de detalhamento diagnóstico.
A reflexão que colocaremos sobre o tema partirá das questões: consideradas as condições reais do atendimento prestado hoje ao idoso brasileiro, para que a avaliação multidimensional? A ação cidadã que se atém às reivindicações das esferas legisladoras seriam abrangentes das esferas política e ética?
Tomaremos os pressupostos colhidos em Andrade para fundamentar a resposta à questão: por que avaliar? Serão colhidos em Martins; Camarano e Camacho o necessário para debater a aplicabilidade do protocolo de Moraes à luz do Estatuto do Idoso.
Para Moraes, o envelhecimento é bem sucedido quando o organismo mantém todas as funções fisiológicas de forma robusta, semelhante à idade adulta. No envelhecimento usual, observa-se uma perda funcional lentamente progressiva, que não provoca incapacidade, mas que traz alguma limitação à pessoa: trata-se de um processo de senescência e não de senilidade.
Problemas de saúde que não são suficientes para comprometer a cognição, o humor, a mobilidade e a comunicação, garantem a independência e a autonomia. Do ponto de vista psíquico, o envelhecimento pode permitir o autoconhecimento e a superação dos conflitos. O envelhecimento do psiquismo ou amadurecimento não é inerente à esfera natural, pois fatores culturais determinam em grande parte a conquista da autonomia e da independência psíquicas.
Os efeitos da passagem do tempo podem ser positivos ou negativos e são observados no organismo (envelhecimento biológico) e no psiquismo (envelhecimento psíquico). O envelhecimento biológico caracteriza-se pela maior vulnerabilidade às agressões do meio interno e externo, e, portanto, maior suscetibilidade nos níveis celular tecidual e de órgãos/aparelhos/ sistemas.
O ser humano atinge o máximo das suas funções orgânicas por volta dos 30 a 40 anos. Entre os 40 e 50 anos há uma estabilização e, a partir daí, um declínio funcional progressivo, com a perda funcional global de 1% ao ano. Portanto, quanto maior a reserva funcional, menor será a repercussão do declínio considerado fisiológico.
Podemos encontrar idosos com alterações fisiológicas mais expressivas, o que caracteriza a síndrome da fragilidade ou frailty. Este tipo de envelhecimento é difícil de ser diferenciado do envelhecimento patológico e deve-se a alterações fisiológicas mais acentuadas, de causa desconhecida ou não diagnosticada. Os principais fatores de risco para a síndrome de fragilidade são hereditariedade, sexo feminino, baixo nível socioeconômico, má nutrição, sedentarismo, senescência, sarcopenia (perda muscular), anorexia e, obviamente, a presença de múltiplas comorbidades ou doenças incapacitantes.
A hereditariedade, os hábitos de vida e as doenças são os principais determinantes das alterações moleculares causadoras da desregulação dos sistemas homeostáticos, capazes de comprometer o funcionamento harmonioso do organismo, gerando perda da autonomia e independência, hospitalização, institucionalização e óbito.
Doenças que se relacionam com a idade e que se associam com mais frequência ao envelhecimento são chamadas doenças crônico-degenerativas, que podem ser agrupadas em neurodegenerativas (Alzheimer e Parkinson), cardiodegenerativas (doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral), osteodegenerativas (osteoporose, osteoartrose), entre outras.
Há doenças que dependem da idade, aumentando sua incidência de forma exponencial à medida que a idade aumenta: polimialgia reumática, artrite temporal, entre outras.
A passagem do tempo expõe o indivíduo a uma série de injúrias, cujas consequências são percebidas na velhice, após décadas de exposição. As injúrias ambientais (hábitos de vida) interagem continuamente com a “bagagem genética” e as consequências biológicas são extremamente variáveis de indivíduo a indivíduo.
Bem-estar físico, psíquico e social corresponde à definição de saúde dada pela Organização Mundial de Saúde. Bem-estar e funcionalidade são equivalentes, implicando em: autonomia e independência. Autonomia significa capacidade de decisão e comando sobre as ações individuais, estabelecendo e seguindo as próprias regras. Independência é a capacidade de realizar algo com os próprios meios. Funcionalidade é o produto da preservação da cognição, do humor, da mobilidade e da comunicação.
Sobre a questão suscitada inicialmente em relação ao porque da necessidade da avaliação multidimensional, tomamos para corroborar Moraes a explicação dada por Andrade (2013) sobre a singularidade do processo de envelhecimento individual. Os idosos diferem de acordo com a sua história de vida, o seu grau de independência funcional e a demanda por serviços mais ou menos específicos. Como um conjunto de fatores biológicos, físicos, psicológicos e sociais, o envelhecimento, nem sempre atua de maneira concorrente em todos os indivíduos, podendo até mesmo descaracterizar um indivíduo de 70 anos como velho, ou até mesmo caracterizar outro aos 50 anos como tal. Desse modo, o envelhecimento é antes um estado próprio do ser humano idoso, que apresenta especificidades socioeconômicas, culturais, ambientais, individuais e/ou coletivas segundo épocas e lugares e apresenta-se em cada ser humano de modo singular e único.
O protocolo de avaliação multidimensional de Moraes consiste de inúmeros itens. Inicia pela identificação, e prossegue com a aferição da queixa principal detalhada; revisão dos sistemas fisiológicos principais: geral, pele e anexos, aparelho cardiovascular, aparelho respiratório, órgãos dos sentidos, aparelho geniturinário, sistema musculoesquelético, aparelho digestivo, avaliação da saúde bucal, sistema nervoso, exame neurológico, avaliação da funcionalidade global: atividades básicas da vida diária, mobilidade (avaliação quantitativa e qualitativa da marcha e do equilíbrio).
O protocolo inclui ainda teste de cognição (mini Mental), Memória (lista de palavras do CERAD); frontal Assessment Battery (FAB), Teste do Relógio, Teste de reconhecimento de figuras (percepção visual, nomeação, memória imediata, evocação, reconhecimento), fluência verbal, índice de Pfeffer (atividades da vida diária), humor, Clinical Dementia Rating – CDR – (memória, orientação, julgamento e resolução de problemas, AVDis ou assuntos comunitários, AVDis domiciliares (tarefas domésticas e passatempo), AVDs básicas, formulário de miniavaliação nutricional, história pessoal e pregressa, diagnósticos anteriores relatados (cardiovasculares, doenças respiratórias, doenças endócrino-metabólicas, doenças neuropsiquiátricas), história familiar positiva de doenças: cardiovascular prematura, hipertensão arterial sistêmica, diabetes mellitus tipo II, doença tireoidiana, câncer (cólon, mama e próstata), osteoporose/fratura de fragilidade, depressão, demência.
O protocolo de Moraes inclui também a avaliação sócio-familiar, o risco psicossocial na esfera familiar, a área profissional, a área social/atividades/interesses e a autoavaliação da saúde.
O protocolo abrange ainda a avaliação do cuidador, a avaliação ambiental. Propõe exames complementares para o rastreamento de câncer, doenças endócrino-metabólicas, função renal, radiologia/outros, densiometria óssea, hemograma. Propõe o cálculo das estimativas gerais do Risco de Framingham, assim como o estabelecimento dos diagnósticos principais e do diagnóstico funcional.
O protocolo de Moraes traça um Plano de Cuidados, ou seja, estabelece estratégias de promoção de saúde e de prevenção de doenças, tratamento e reabilitação. Finaliza com o registro de observações finais.
Ao pensar na aplicabilidade do modelo preconizado por Moraes como rotina em projetos públicos, deve-se pensar em metas hierarquizadas em longo prazo (planos decenais), médio (planos quinquenais), e curto prazo (planos bienais).
Camarano (2013) sugere que o limite inferior da idade apontado no estatuto do Idoso passe de 60 para 65 anos. A autora indica ainda que sejam estabelecidas fontes de financiamento para cada medida proposta no Estatuto do Idoso. Quanto às dotações orçamentárias, se houver uma consulta pública essa proposta terá plena anuência da população idosa. No entanto, em relação à mudança do limite inferior parece não ser importante para a melhoria do quadro nacional por desviar a atenção e os esforços cidadãos para a instância legisladora, quando há premência de que os olhares se dirijam para as instâncias executoras.
Martins e outros (2007) ressaltam a importância da capacitação dos profissionais da saúde para o cuidado gerontogeriátrico seguro, ético e eficaz, conforme aponta o art. 18 do Estatuto do Idoso. A capacitação dos profissionais da saúde – ainda incipiente – é de suma importância.
O protocolo de Moraes é aplicável desde que realizado por equipe multidisciplinar capacitada para realizar seus diagnósticos detalhados e concretizar – em tempo hábil e com qualidade – o plano de cuidados deles decorrente.
Em 7,7% dos estudos considerados relevantes por Camacho (2008) ressaltou-se a importância da ampliação de estratégias que tenham o cuidador como sujeito principal, cabendo ao profissional de saúde e às políticas públicas valorizarem a rede de suporte ao idoso dependente. O cuidador do idoso é importante para a sequência do cuidado no domicílio. Existe a necessidade de programas voltados para tentar garantir que a atividade do cuidado seja efetiva e investida através de práticas adequadas, trazendo benefícios para quem cuida e quem recebe esse cuidado.
Segundo Ritt (2008), em meados do século XXI, teremos a inversão da pirâmide social no que diz respeito à idade. Haverá mais idosos do que jovens habitando nosso país. Desta feita, “tratar, proteger o idoso contra a violência doméstica e familiar está ligado diretamente ao interesse público [...]: o de implementar as políticas públicas” (prioritariamente via Conselhos Municipais) e que incluam programas voltados para a repressão da violência doméstica e familiar. A repressão ‘da letra da lei é um mecanismo social necessário, mas que se mostra ineficaz, na prática. Há necessidade de  mudar paradigmas para que comportamentos positivos sejam incorporados aos padrões relacionais intergeracionais. Desta feita, usar testes para avaliar se a pessoa idosa é agressiva ou acha-se deprimida deve ser concomitante à análise e interferência nas relações sócio-culturais em geral e familiares, em particular.
Maltempi (2006) relata a prática de formar grupos intergeracionais de convivência para utilizar as diferenças em favor dos membros do grupo e de toda a sociedade. Tem por meta a transformação da realidade à sua volta, a partir da percepção dos significados do contexto ambiental, de modo a re-significá-lo. Ressalta que a adesão de uma causa social por jovens propicia o resgate de valores, tais como a solidariedade, a utilidade, a igualdade e a compreensão de seu espaços e metas de vida.
Em consonância com Camarano (2013), ressalta-se a importância da definição de prioridades orçamentárias para a saúde do idoso. Principalmente, relativas a setores a que o cidadão idoso tem acesso e nos quais poderia ocorrer a avaliação multidimensional e outras formas de pesquisa/ação em relação a sua saúde.
Seja qual for o limite inferior de idade a determinar legalmente o trato do cidadão enquanto idoso, aponta-se ainda a necessidade de priorizar o destino de verbas para pesquisa científica sobre cuidados preventivos de saúde dos pré-idosos. E ainda de fazer chegar esses saberes à orientação dos hábitos dos pré-idosos e idosos (quer por via de seus cuidadores que os monitorem quer por si mesmos, se autônomos).
Sugerimos a pesquisa/ação preventiva como forma de avaliar multidimensionalmente a saúde da pessoa idosa, incluindo a figura do educador nas equipes multiprofissionais de ações pró saúde, ampliando o módulo de profissionais existentes. A formação acadêmica mínima exigida para esses educadores deveria ser licenciatura em Pedagogia, Ciências, Educação Física como forma de reforçar as equipes multiprofissionais em ações cidadãs e pró-cuidado à saúde da pessoa idosa.

REFERÊNCIAS
CAMARANO, Ana Amélia. Estatuto do Idoso: avanços com contradições. TD1840. IPEA. Rio de Janeiro: 2013.
ANDRADE L. M.; SENA, E. L. da S.; PINHEIRO, G. M. L.; MEIRA, E. C.;
LIRA, L. S. S. P. Ciência e saúde coletiva vol.18 no. 12 Rio de Janeiro Dec. 2013
CHIER, Jordelina. NETIATIVAS entrevistam a coordenadora do N.E.T.I.
CAMACHO, A. C. L. F., COELHO, M. J. Políticas públicas para a saúde do idoso: revisão sistemática. Revista Brasileira de Enfermagem REBEN. 2010.

MALTEMPI, Maria Ângela Cabanilha de Souza. COEDUCAÇÃO: UMA PROPOSTA INTERGERACIONAL. ETIC - Encontro de iniciação científica - ISSN 21-76-8498, Vol. 2, No. 2 (2006).

MARTINS, J.J.; SCHIER, J.; ERDMANN,A.L.; Albuquerque, G.L. Políticas públicas de atenção à saúde do idoso: reflexão acerca da capacitação dos profissionais da saúde para o cuidado com o idoso. Revista Brasileira de Geriatria e Gerontologia, v.10 n.3 Rio de Janeiro. 2007.
MORAES. Edgar Nunes de. Processo de Envelhecimento e bases da avaliação multidimensional do idoso. In: Envelhecimento e saúde da pessoa Idosa. Fiocruz. 2008. http://www5.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_215591311.pdf.
RITT, Caroline e RITT, Eduardo. O Estatuto do Idoso – Aspectos Criminológicos e Penais. Florianópolis: Livraria do Advogado. 2008.
http://redeidosos.blogspot.com.br/2014/08/resumo-do-livro-o-estatuto-do-idoso.html

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Programas de convivência de idosos. Edna Domenica Merola

"É o cuidado que confere força para buscar a paz no meio dos conflitos de toda ordem. Sem o cuidado que resgata a dignidade da humanidade condenada à exclusão, não se inaugurará um novo paradigma de convivência."
                                                                                                                                    Leonardo Boff


EXERCÍCIO DE APLICAÇÃO TEÓRICA AO OBSERVADO NA PRÁTICA

Tomando por parâmetro definições dadas pelos dicionários: 
Dicionário Babylon on line. 
BIROU, Alain. Dicionário de Ciências Sociais.
SILVA, S. (2002). Dicinário de Sociologia, Porto: Porto Editora. 

Como classifica os Grupos de Convivência para idosos de que tem conhecimento?
(Assinalar quantos achar oportunos):
( ) Grupo Primário: espontâneo, definido mais por motivações afetivas do que por objetivos utilitários. A aderência se dá por afinidade de interesses.
( ) Grupo de Contato direto: as pessoas reúnem-se por motivos de simpatia e para manterem entre si relações imediatas e contatos recíprocos.
(  ) Grupo de referência: serve como modelo ou referência para o indivíduo
( ) Grupo de pertença: condiciona as atitudes, os comportamentos e os valores do indivíduo.
(  ) Grupo de pressão: o mesmo que lóbi.
(  ) Grupo Étnico: pessoas que se identificam.
( ) Grupo de tarefa: formado por pessoas que se reúnem para executar uma determinada tarefa.


Acesse o link: http://redeidosos.blogspot.com.br/2014/10/programas-de-convivencia-de-idosos-e.html



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O gosto musical do outro. Edna Domenica Merola.

Nada mais unificador por um lado e separatista por outro do que as preferências musicais...
Como professora de oficinas deparo-me constantemente com o gosto do outro, mas sem dúvida quando estou com um grupo em que a maioria tem a minha idade, sinto-me mais 'em casa'.
Mas trabalhar com materiais novos, ou seja, com as escolhas musicais diferentes da nossa pode nos tirar da mesmice de uma zona de conforto para nos colocar numa caçada desafiadora de entender e dar um sentido às escolhas que não nos pertencem.
Ao receber inscrições para oficinas, enviamos um questionário sobre as preferências musicais dos inscritos.
Na última oficina que ministrei com o colega Alberto Gonçalves a primeira inscrição foi de A.V.F uma pessoa com quem nunca tivera nenhum contato antes da troca de e-mails por ocasião das inscrições.
Aqui suas escolhas indicadas no inventário de interesses:
Mina de Niterói - Flávia Coelho (1) 
http://www.musictory.com/music/Tom+Fire/Mina+De+Niteroi
Lembrança (2) Teresa Cristina
Tigresa(3)- Caetano Veloso

Cantor preferido  Jimmy Page (4) e cantora preferida Etta James (5)
Confesso que, a princípio, só pude nomear de familiar a Tigresa de Veloso...
No entanto, as escolhas me causaram curiosidade. E fui em frente até me familiarizar com elas.
O resultado dessa pesquisa foi o texto 'colagem" que segue:

Ela me conta, sem certeza, tudo o que viveu (3):
‒ Eu tenho cicatrizes mal curadas. E não consigo me enquadrar mais. Mas ainda assim me acordo cada manhã /Me preparo para o que está reservado/ Para o que está reservado para mim. (4)
Ela me conta, sem certeza, tudo o que viveu:
‒ Que gostava de política em 1966... (Ou foi 2006?).
‒ Mina de Niterói, / Cadê tua turma? Se não tem, se enturma. Dá teu jeito, então. Sei que a saia é justa. Pra cair não custa, basta um tropeção. Cuidado com a mão da maldade. Já mataram a verdade. Me marcaram o coração... E eu não li no jornal Que o mal dessa gente miúda / É fazer da palavra luminoso punhal. Menina Vai viver a vida Firme e decidida, como Deus bem quer. (1)
Menina, ela me conta, sem certeza, que era atriz e hoje dança... Me falou que o mal é bom e o bem cruel. Mas ela ao mesmo tempo diz que tudo vai mudar Porque ela vai ser o que quis, inventando um lugar/ Onde a gente e a natureza feliz vivam sempre em comunhão! / (3)
‒ Oh! Dia Feliz! Oh! Dia Feliz! (5) Se o sol se recusar a brilhar, Eu ainda estarei amando você. Se as montanhas desmoronarem no mar, Ainda haverá você e eu. / Só de pensar em você /Acontece todo o meu mundo. Só de pensar em você / Acontece meu nebuloso mundo inteiro: azul enevoado/Meu amor é forte... Inspiração: olhar pra ver. E assim, hoje, meu mundo sorri./Tudo bem, yeah! Felicidade... Não mais ser triste / Felicidade... Eu estou feliz.

Ela me conta, com certeza, tudo o que aprendeu.



Outras ilustrações de textos do tipo colagem:

Blog: Aquece a Escrita 
Postagem: Colagem Musical em Poema Visual. Andressa dos Passos Barbosa.
Link: http://aquecendoaescrita.blogspot.com/2014/09/colagem-musical-em-poema-visual.html


Blog: Aquece a Escrita 
Postagem: Colagem Musical. Dandara Manoela Santos. 
Link: http://aquecendoaescrita.blogspot.com/2014/09/colagem-musical-dandara-manoela-santos.html 


Blog: Aquece a Escrita 
Postagem: Colagem (Oficina 24/9/2014). Rinaldo Oriano. 
Link: http://aquecendoaescrita.blogspot.com/2014/09/colagem-oficina-na-sala-verde-rinaldo.html