Hoje assisti a um filme num grupo 60 +. Na recepção da plateia em pauta, os temas seriam a homo afetividade e o machismo.
Para o público presente, o tema da violência
foi naturalizado. O fato de sexo e violência comparecem em cenas imediatamente
consecutivas parece não ter importado. O que ressaltou aos olhos dos
experientes espectadores foi que o sexo era entre dois homens.
Penso que o filme critica, com muita exatidão,
a cultura estadunidense: o uso abusivo do álcool, a lei regida por um xerife
pronto para puxar o gatilho e que anda a cavalo no deserto...
Refiro ao filme de 32 minutos "Estranha forma de
vida", classificado como "drama de faroeste", à revelia de que
grande parte das cenas se passa entre quatro paredes, em que sobressaem as
respectivas decorações e o figurino dos personagens.
Os protagonistas são os caubóis e ex-pistoleiros de aluguel: dois homens que se reencontram vinte e cinco anos após terem vivido um breve romance. Silva, interpretado por Pedro Pascal, e Jake por Ethan Hawke.
Almadóvar é conhecido por utilizar cores
berrantes em seus filmes: vermelho, verde, azul, amarelo. No filme em pauta,
meu destaque vai para o personagem Silva nas cenas em que usa uma jaqueta verde.
Entre matar ou morrer por amor, o personagem
mais jovem da dupla mostra uma terceira via, não totalmente isenta de
violência, mas sem ataque à vida. Nas palavras de Freud, opta por Eros, em
detrimento a Tânatos.
E em Eros está o "cuidar do outro":
marca do início da civilização na noite dos tempos.
Ora, cuidar do outro implica assistir a
velhice (camada improdutiva da sociedade).
É possível pensar nisso sem pensar a
organização política da sociedade?
No debate, tentaram me mandar calar a boca,
quando reforcei a fala de alguém sobre aspectos da esfera sócio política.
Então, de bom grado, cedi meu lugar de fala ao Freud para explicar...
Afinal, ele é mais velho do que eu, merece prioridade!
Anexo - Letra da música Estranha forma de
vida
Performance da abertura da produção do filme
Foi por vontade de Deus
Que eu vivo nesta ansiedade
Que todos os ais são meus
Que é toda minha a saudade
Foi por vontade de Deus
Que estranha forma de vida
Tem este meu coração
Vives de forma perdida
Quem lhe daria o condão?
Que estranha forma de vida
Coração independente
Coração que não comando
Vives perdido entre a gente
Teimosamente sangrando
Coração independente
E eu não te acompanho mais
Para deixa de bater
Se não sabes onde vais
Porque teimas em correr
Eu não te acompanho mais
Se não sabes onde vais
Para deixar de bater
Eu não te acompanho mais
Compositores: Alfredo Rodrigo Duarte / Amalia
da Piedade Rodrigues
Fonte da Letra de Estranha forma de vida©
Universal Music Publishing Group